Museu Antropológico nos 152 anos de Arroio Grande

Nos dias 20 e 21 de março de 2025, o Museu Antropológico do Rio Grande do Sul (MARS), instituição da Secretaria de Estado da Cultura (Sedac), participou da programação de aniversário do município de Arroio Grande, que completou 152 anos, com a mostra itinerante “Palmares Vive!”.

Conheça, aqui, mais detalhes dessa itinerância. A cada localidade do Rio Grande do Sul em que a exposição é apresentada, acrescentamos muitas conexões à nossa rede de relacionamentos com pessoas e instituições, reafirmando a importância do território e do trabalho de campo.

Arroio Grande – Um território afro-gaúcho

Foi com grande satisfação que, no dia 20 de março de 2025, inauguramos o ciclo itinerante “Palmares Vive!” no Centro de Cultura Basílio Conceição, em Arroio Grande. Esse centro cultural abriga uma biblioteca, um memorial sobre o carnaval local, uma sala multiuso, cinema, estúdio de gravação e auditório, além de sediar a Secretaria Municipal de Cultura. É nesse espaço que nossa exposição ficará em cartaz por um mês, atraindo a visita de escolas e da comunidade.

O Carnaval é um evento de grande relevância para Arroio Grande, movimentando a vida local por meio de blocos de rua e escolas de samba, que representam a rica tradição do associativismo nos bairros. Além de atrair visitantes, o evento também impulsiona o setor de serviços e a economia da região.

A nova administração da cultura na cidade conta com a colaboração de pesquisadores do Grupo de Estudos sobre Escravidão e Pós-Abolição (Geespa), da Unipampa – Jaguarão, que organizou, no dia 21 de março, uma roda de conversa sobre a temática dos territórios negros no Rio Grande do Sul. O encontro ocorreu na sede do Clube Guarani, um importante espaço da cultura afro-brasileira de Arroio Grande, hoje Ponto de Cultura Axé Raízes.

O Clube Guarani 

Fundado em 1920, o Clube Guarani é uma relevante associação negra de Arroio Grande. O clube tornou-se um território de encontro, sociabilidade e, acima de tudo, um espaço de identidade e memória da população negra. Servindo como um ponto de encontro para eventos sociais, culturais e educativos, o Clube Guarani desempenha um papel fundamental na preservação da história e das tradições afro-gaúchas. Embora esteja impossibilitado de atuar como Clube Social desde 2006, hoje funciona com ponto de cultura, com oferta de atividades educativas e culturais, continuando a se constituir como espaço de memória e resistência cultural à discriminação persistente.

Museu Visconde de Mauá 

Outro importante espaço de memória da cidade é o Museu Visconde de Mauá, que abriga uma rica coleção de objetos e documentos sobre a cidade, suas instituições e personalidades, centrando suas narrativas na tradição açoriana.

Bruna Serpa, historiadora e diretora do Museu Visconde de Mauá, destaca que já realizou um projeto de registro da história de uma renomada benzedeira da cidade, Oscarina Souza Barros, mais conhecida como Dona Serafina. Em parceria com Anderson Machado, historiador e atual secretário de cultura do município, a instituição inicia um movimento de revisão de sua organização e acervo, com o objetivo de contemplar a diversidade e afirmar Arroio Grande como um território também de memória, cultura e religião afro-gaúcha.

Mais sobre a exposição 

A exposição itinerante é composta por dois conjuntos de painéis contendo imagens, textos e legendas. O primeiro módulo, “Ciclo Itinerante Palmares Vive! Quilombos do RS: Resistência e Territorialidade”, sintetiza o conjunto de mesmo nome da exposição original, com curadoria da antropóloga Mariana Balen Fernandes. Esse módulo é composto por sete painéis que expõem imagens de contextos cotidianos de comunidades quilombolas, suas lutas e resistências, além do Maçambique de Osório, tanto em sua forma antiga quanto contemporânea.

O segundo conjunto, intitulado “Palmares Vive!”, recria em sete painéis os demais módulos concebidos pelos curadores da mostra original “Palmares não é só um, são milhares: 50 anos do 20 de Novembro”, de maneira sintética e adaptada. Esse módulo tematiza a instituição do 20 de Novembro como a data da Consciência Negra, promovida pelo Grupo Palmares e pela liderança ativista de Oliveira Silveira, além de abordar sua trajetória pessoal, os clubes sociais negros, as artes negras contemporâneas, a imprensa negra e os ativismos negros a partir do século XIX.

Para saber mais, acesse:  https://acervos.mars.rs.gov.br/exposicoes/palmares-vive/

Bibliografia sobre Arroio Grande: 

PAIXÃO, Cassiane de Freitas; LOBATO, Anderson O. C. Os Clubes Sociais Negros no Estado do Rio Grande do Sul. 190 p . Rio Grande : EDIGRAF, 2018.  (https://ppgdjs.furg.br/images/Paixao2017_Clubes.pdf)

SERPA, Bruna M. T. “Dona Serafina, entre a fé e a folia: a trajetória de uma mulher negra benzedeira em Arroio Grande /RS (1911-2016)” Trabalho de Conclusão de Curso em História. Universidade Federal do Pampa, 2023. https://cursos.unipampa.edu.br/cursos/historia/files/2024/04/bruna_tcc.pdf

MACHADO, A. ““Eu andarei vestido e armado com as armas de Jorge”: Trajetória religiosa de Mãe Preta D’Ogum e o uso do alimento no Reino de Ogum, iansã e Exú Tiriri na cidade de Arroio Grande – RS” Trabalho de Conclusão de Curso em História. Universidade Federal do Pampa, 2023. https://cursos.unipampa.edu.br/cursos/historia/files/2024/04/anderson_tcc.pdf

QUADRADO, B. F. (2019). O SONHO DE SER “MISS MULATA” NA REPRESENTAÇÃO DE BELEZA E RAÇA (1969-1999), RS. História Em Revista, 21(22). (https://periodicos.ufpel.edu.br/index.php/HistRev/article/view/15968)